23 de mar de 2016

Coração Partido


Por muito tempo eu acreditei nessa história de que “coração vazio é melhor que coração partido”. Eu achava que não sentir nada, era melhor do que sentir sem reciprocidade. Então passei a detestar o sentimento, ria de quem falava tão bem desse tal amor, fui desapegada no sentido contrário ao de desapego. Não imaginava como alguém podia gostar desse risco que é se apaixonar. Na minha cabeça, qualquer tipo de investida era um suicídio doloroso. Só quem tinha o coração vazio, podia brincar de lançá-lo de um lado para o outro sem medo de o estraçalhar. Caso o contrário, os cacos seriam tão miúdos, que muitos ficariam perdidos debaixo dos móveis, então seria difícil se reconstruir. A primeira opção, à primeira vista, pareceu indiscutivelmente melhor. É claro, até eu me cansar da mesmice, da falta de emoção. Resolvi dar uma chance para treinar minhas habilidades motoras.
Por um tempo, me saí bem. Sorte de principiante, eu acho. Uma vez, por pouco não deixei meu coração se espatifar no chão, mas o segurei firme, imaginando que se fosse o pomo de ouro do Harry Potter, eu teria dado a vitória à minha Casa. Na outra, não tive a mesma sorte. E CRECK!!!, já era! Tantos pedaços que até perdi a conta. Ah, como foi bonito a explosão de formas, cores e sons! Senti na pele o que só havia visto em teoria. Doía um bocado, ah, como doía. Mas, diferente do que eu imaginava, não me arrependi, não lamentei, não sofri. Pensei que novamente me tornaria oca, porém tive uma surpresa quando me vi transbordar. Eu tinha experimentado do amor, dessa sensação maravilhosa que é se apaixonar e ter alguém que ocupa seus pensamentos 24, talvez 25 horas por dia. É gratificante ver a genuinidade do “se dedicar a alguém”. Nos livra do egoísmo, do “nada para fazer”, da ingratidão famigerada. Além do mais, me diz, que mal há em sentir? Hoje eu prefiro sentir ao quadrado, sentir à dezesseis avos, sentir trezentos e sessenta e cinco vezes, sentir de montão mesmo que é para nada na minha vida só passar. Só passar é triste demais. Não tem a graça de fazer o cafézinho e oferecer os biscoitos velhos, que era a única coisa que tinha no armário. Passar é só de “oi”, e de oi eu já tô cheia. Quero gente que entra, ri comigo e no meio disso tudo, me pergunte onde é o banheiro. No meio de uma decepção e outra, tem tanta coisa boa que esquecemos de contar. Por isso, hoje, exibo minhas cicatrizes com orgulho, grata por ter o coração partido, assim de tanto amar.

Um beijo, Bianca.

Um comentário

  1. Feliz pelo blog, por fazer parte disso aqui e principalmente, por te ver indo atrás dos seus sonhos, daquilo que almeja, das coisas que te fazem bem. Te admiro demais! Sucesso. Amo você! <3

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